A Ferrari introduziu uma solução aerodinâmica inédita no SF-26 durante os testes de pré-temporada da Fórmula 1 em Bahrein. A grande novidade está no flap superior da asa traseira, que realiza um movimento de quase 270 graus ao ser acionado, em vez de apenas abrir a 90 graus como os sistemas convencionais.
Esse mecanismo faz com que a parte do flap que normalmente fica orientada para cima acabe voltada para baixo quando o carro está em modo de menor resistência aerodinâmica. Com isso, o perfil aerodinâmico muda radicalmente, reduzindo o arrasto do ar na reta e melhorando a eficiência do carro em alta velocidade.
O movimento de rotação cria uma configuração similar à de uma asa de avião invertida, que traz dois efeitos principais. Primeiro, aumenta o espaço entre a parte principal da asa e o flap, o que já reduz resistências. Segundo, a posição invertida do perfil ainda permite gerar um pequeno empuxo para cima, diminuindo a energia necessária para manter a velocidade. Dessa forma, a equipe não busca apenas velocidade máxima pura, mas também redução no consumo de energia do carro durante a reta.
Além disso, a Ferrari optou por posicionar os atuadores que controlam esse movimento dentro das paredes laterais da asa, eliminando o atuador central tradicional. Essa solução contribui para uma redução adicional de arrasto, mesmo que em pequena medida.
Quando o carro se aproxima de uma curva, o sistema retorna a asa a uma posição mais tradicional, favorecendo geração de downforce e estabilidade lateral. Essa alternância entre baixa resistência nas retas e boa aderência nas curvas faz parte da estratégia de aerodinâmica ativa permitida pelas novas regras da Fórmula 1 em 2026.
A Ferrari destaca que essa abordagem não é apenas estética. Ao reduzir a quantidade de energia que o carro gasta para manter a velocidade, a equipe espera melhorar a eficiência durante a corrida e a performance nos longos trechos de alta velocidade. A solução deve ser especialmente vantajosa em pistas rápidas, onde o consumo de energia e o arrasto aerodinâmico têm impacto significativo no ritmo de prova.
A introdução desse flap rotativo evidencia como as equipes estão explorando as novas possibilidades técnicas abertas pelos regulamentos para 2026, com foco em soluções criativas que possam oferecer ganhos importantes dentro dos limites permitidos.
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